Leveza

Noite de chuva
Lágrimas que se derramam
Na escuridão
E um sentimento de profunda angústia
Transparece pelas velhas paredes do antigo sobrado

Sobrado, hoje casa de cômodos
Tuas antigas paredes são como cicatrizescasablanc
Deixadas pelo ferro do tempo na paisagem da cidade
Que o tempo mudou
A velha casa de sobrado

Onde um dia gente antiga nele viveu
E amou…
O que tu não sabes, to sobrado
É que as paredes do espírito não aparecem aos olhos de ninguém;
Como tu, gente antiga, também vivo e amo

Apenas aquele a quem amo
É alguém cujo coração não é ligado ao meu
Deixo- me suspeitar nessa triste madrugada
Que por trás da neblina fria que cobre o semblante
Houve exclusivamente isso: o encontro da mulher triste

Junto à tristeza que encobre as ruas
Mesmo assim, ela despiu a seu próprio espírito
Para enviar uma mensagem
Mensagem de vida, mensagem de amor
E de uma sublime sensação de leveza…

Keyla Oliveira

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4 comentários sobre “Leveza

  1. Ultimamente, ando lendo as “Meditações” de Marcus Aurelius. Nelas, escritas há quase dois mil anos, encontrei verdadeiro bálsamo, como o que me diz que a gente, vivendo pouco ou muito, só perde uma única coisa: o presente. Quando lembramos do passado, lembramos de um fantasma, ainda que ele nos pareça familiar e sublime. As lembranças falam de coisas que não nos pertencem mais, pois nosso presente é presente, não passado.

    Não pensemos que nosso passado é presente e que o futuro nunca chega. As paredes desmoronam porque não são mais presentes. Apenas o Céu que nos cobre é atual.

    Beijos!

    ***

    Oi, Keyla!

    Obrigado por visitar meu trabalho. Fico contente de “esbarrar” com pessoas ansiosas por se expressarem , tais como eu.

    Vi que você seguiu um de meus sites. Não sei se foi esse, mas além do Skorpionik, o endereço de meu site principal mudou recentemente para http://ebrael.info/. Confira se foi esse que você optou por seguir, please!

    Beijão, espero te encontrar outras vezes.

    P.S.: Também escrevo poemas, como você. 😉

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá, Júlio César! Eh um enorme prazer ter a sua visita!
      Que bom que vc apreciou a poesia. Me sinto lisonjeada com suas palavras, visto que também sou uma profunda admiradora de Marcus Aurelius. De fato, perdemos muito quando olhamos para o passado e nos fixamos nele.
      No entanto, costumo fazer quadros mentais regularmente. E às vezes penso nos seguintes termos: quando estamos viajando de carro, olhamos no retrovisor, para termos visão do que está acontecendo atrás de nós. Assim mesmo eh a vida, quando olhamos para trás, não significa que ficamos ali, mas percebemos nossos erros e projetamos nosso futuro com muito mais segurança. Porém, o que passou não influencia mais a nossa vida, e seguimos tranquilamente.
      Esse poema escrevi como uma reflexão sobre como vivemos nossas vidas e muitas vezes, mesmo sem nos apercebermos, desperdiçamos as coisas valiosas que a compõem, como o amor, tornando nossa vivência uma “coisa” patética e sem vida, uma coisa velha, que só se ouviu a história…
      Um grande abraço e vamos trocar figurinhas!

      Curtido por 1 pessoa

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