Linha da vida

Os primeiros  raios de sol entravam pela janela. Rosa acordava sentindo o perfume da grama molhada pelo orvalho, e a primeira coisa que fazia era

2 vicente__romero9abrir a janela do seu quarto. Sentia-se feliz em olhar a paisagem, o céu em tons de rosa e azul inundavam sua visão, as andorinhas a despertavam com uma cantiga feliz, a mangueira carregada de mangas abria-lhe o apetite. Mas a ideia do café feito no fogão a lenha era o que a fazia pular da cama.

O cheiro da refeição matinal tomava conta da cozinha. Café fresquinho, leite de cabra tirado na hora e pães quentinhos com manteiga eram sua primeira refeição antes das primeiras tarefas do dia, que consistiam em varrer o quintal, estender a roupa no varal, alimentar o Chico, o gato angorá. Mas a sua atividade preferida era bordar.

Rosa era uma moça prendada, tudo o que ela fazia era com capricho. Suas criações eram delicadíssimas, bordava lençóis, toalhas, lenços de bolso, vestidos e outras coisas que só uma pessoa dedicada ao que faz consegue executar.

Assim era o dia a dia de Rosa. Vivia só, a natureza fazia-lhe companhia. Como ela percebeu que o tempo passava por ela, um dia decidiu ir ao coração da cidade em que vivia, para buscar uma história.

Vestiu-se com um vestido amarelinho de algodão, da mesma cor dos raios de sol que entravam pela janela de seu quarto. Esse vestido foi bordado por ela com linhas de seda. Era delicadamente bordado com duas borboletas. Sinal de esperança? Talvez. Indício de felicidade? Quem sabe. Rosa sempre foi feliz, não obstante a felicidade sempre bate às portas de quem ama de verdade.

Quando ela chegou ao coração de sua cidade, procurou por um armarinho em que pudesse achar uma linha vermelha, da cor do coração. Nenhuma loja tinha a linha.

Mas passava por ali um moço que não era morador da cidade e que vendia agulhas, linhas, fitas, tecidos finíssimos que nunca ninguém havia visto antes, nem mesmo Rosa.

O moço, olhando bem no fundo nos olhos de Rosa, beijou-lhe as mãos, e disse que tinha o que ela procurava. Não só a linha, mas também a história que ela tanto buscava, uma história escrita com linha vermelha, da cor do coração.

Assim Rosa e esse viajante conversavam no coração da cidade. E a medida que conversavam, davam fio a uma história de quem conhece a felicidade, e sabe que ela vive bem ao lado de quem aprecia as coisas simples, de dentro do coração.

Por Keyla Oliveira

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7 comentários sobre “Linha da vida

  1. O café com leite é algo quase divino para mim, tem um quê de místico, de um casamento entre o preto e o branco. A linha vermelha, um vestido dourado e um café com leite de cor de “dia feliz”: eis o que vejo em nossos dias. Parabéns! 😀 Me deu vontade de tomar mais um café… mesmo sem fogão à lenha por perto.

    Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

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