Do amor e da razao

Do amor e da razão

I

Alimentar o íntimo com sutilezas

Isso pode ser o início?

Isso pode ser o fim?

Olhar para dentro e contar constelações, inspirar-se.

Sentir um arrepio em todo o ser

Sublimar ínfimos gestos…

Todo fim pode ser um início

Depende do que seja o início

Depende do que seja o fim…

Essas sutilezas

Esses ínfimos gestos

Que alguém em alguma parte do mundo os trouxe

São símbolos que não estavam perdidos

Estavam apenas ocultos

Em algum terreno fértil

Tudo o que se planta, se colhe…

Que o que se plantou seja agora transformado no que se amou, embora sendo o início.

Que o caminho percorrido seja de um amor intenso, vivo.

Assim como os espinhos compõem a rosa

Assim será composto esse amor

Profundo como os abismos oceânicos

Desafiador como uma jornada no deserto

Leve como as asas de uma borboleta

Deixe-se que esse amor

Seja por si só o fim, o começo,

Que seja um mergulho nas profundezas marinhas

Que seja uma viagem no deserto, embora não se estando só…

Estando-se livre então

Abrem-se as asas

Exploram-se constelações

Conhece-se a fonte do amor…


Elegia

Constelações

Lugar propício para embalar os sonhos

Dentro dos meus sonhos

Tu sonhavas um caminho, uma estrada…

Deparas-te com alguém

Quem será?

Sabes que o caminho é frio, escuro,

Lugar fértil onde os sonhos se assimilam

Nele tu necessitas

Libertar-te…

Esse alguém poderia dar-te asas,

Ser teu movimento

Ser cúmplice dos teus sonhos

Contigo sonhar

Descobre-se então nesse universo onírico

Que esses sonhos habitavam em alguém

Que te amava tanto… E, no entanto,

Nem mesmo sonhavas com quem tanto te queria bem

Olhas então para essas mãos vazias… a poesia concreta do sonho que se perdeu. Não são preenchidas pelo amor de quem sonhou. Que elas enfim descansem na verdade que te concedo, nos limites do cárcere em que vives. Terás então que descobrir quem te sonhava… Quando do sonho despertar, verás claramente que perdeste.

Que será mesmo amor? A certeza de algo sendo compartilhado? Segredos, mistérios, sublimação? Ou verdades da vida que ao sol-posto perdem a sabedoria? Fatigada de sempre tentar lança-me aos abismos oceânicos, procuro então compreender essas verdades, em posição neutra. Neutralidade forçada… Intensa, necessito resguardar-me, e nada mais faço para atrair-te ao céu que ainda te disfarço.

Não mais poderás te libertar. Viverás com o fino tecido do coração de outro entremeado ao teu. Viverás então com a certeza de que não podes viver assim, incompleto. Desejarás retornar ao mesmo sonho que sonhaste, então já será tarde. Não quiseste unir teu coração, de fato, então terás que enfrentar o enigma da esfinge, agora dizendo: “te mato”.

Está tudo acabado, bem sabemos, mas tudo bem. A morte do amor existe quando nos recusamos a nos lançar no seu abismo. A vida do amor existe quando queremos nele e com ele viver. Conviver. Rio que corre e se renova- eis o amor. O que se amou não mais se tira de nós. Somos indissolúveis, porém distantes. Entretanto, sei que amor também tem olhos no passado.

Amei, me entreguei, a mim me pertenci… Tive tudo em dobro, dois corações, pensamentos. Renasci. De nós eu ressurgi, por isso continuo te levando em mim.

Amor não é vento…

Tudo o que foi intensamente vivido

Restou-nos isso- o sentimento

Em que de novo te surpreendo em mim

E toda a beleza do que se viveu

Enriqueceu-me, de haver te amado assim.


Redenção

Porém, nem tudo está perdido, amor,

Somos iguais, criaturas de Deus.

Percorremos léguas em busca de amor

O que nos completa

Está dentro de nós

Mas não se ama sozinho…

Mais uma vez pergunto: que será mesmo amor?

E respondo: Amor. Pura e simplesmente

É ser, para si e para o outro,

Dois fazerem com que a luz interna aumente

Amor, não mais precisas sonhar,

Nem adivinhar quem te querias bem

Presente eu vou estar

Ajudar-te a enxergar

Que para mim tu és mais que alguém

Serei tua luz, teu movimento, teu espelho,

Se apenas quiseres que eu seja

Terás então a certeza

De que não estás só

E do que se viveu, renascerá a beleza,

Abrirás as asas. Terás força. Conhecerás a fonte do amor.

Finalmente tens a mim!

Por Keyla Oliveira

sandra1


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3 comentários sobre “Do amor e da razao

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